Mulheres do café movimentam cafeicultura brasileira

Elas já estão encarando a dupla de jornada de trabalho há décadas. Enxada na mão durante o dia, cuidados da família e casa no tempo livre. Elas já correram no meio da madrugada para cobrir os cafés no terreiro quando a chuva surgiu repentinamente, colocavam as crianças embaixo do pé de café para capinar uma rua do talhão e muitas vezes levantavam mais cedo para preparar a marmita do marido que ia para roça com ela. Historicamente, contudo, sua voz não foi ouvida. Sua opinião ignorada. “É como se a gente nunca existisse na cafeicultura”, desabafa a ex-presidente do IWCA Brasil, Josiane Cotrim, em entrevista Encontro Internacional das Mulheres do Café, International Women’s Coffee Alliance, no ano passado em Bogotá.

Relatórios internacionais não citaram a presença da mulher na cafeicultura brasileira e líderes de organizações do mercado são, em sua maioria, homens. Essa realidade, porém, está mudando gradativamente não somente no Brasil, mas também em outros países produtores. Elas estão se organizando em cooperativas, associações e estão fazendo alianças para se qualificarem e aumentarem suas redes comerciais. Segundo a atual presidente do IWCA Brasil, Brígida Salgado, o objetivo de se organizar é dar visibilidade à mulher que está no segmento café, seja na produção, seja na indústria, na comercialização, seja na cafeteria. A questão é mesmo de gênero. “Queremos formar uma rede interativa onde possam ser feitos negócios entre essas mulheres”, explica.

O IWCA é uma organização sem fins lucrativos com boa representatividade no cenário internacional por ter força em diversos países produtores e compradores de café. A iniciativa partiu de um grupo de norte-americanas envolvidas na indústria cafeeira durante uma visita às lavouras da Nicarágua em 2003. A proposta deu certo e, com treze anos de história, já conta com a adesão de produtoras da própria Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, República Dominicana, Colômbia e Burundi (localizado na parte central da África). Aqui no Brasil, a IWCA chegou em 2011 e já conta com mais de 100 membros comprometidos a fazer a diferença em nosso país de dimensões continentais.

IWCA Brasil
Depois de cinco anos de existência, as mulheres da IWCA Capítulo Brasil (Brazilian Chapter) já podem celebrar muitas conquistas. Seus cafés foram representados em eventos nacionais e internacionais, treinamentos e capacitação em toda extensão nacional foram feitas e negócios foram fechados. Atualmente, para melhor atender os interesses distintos de cada região, foi decidido cirar sub-capítulos.

De acordo com o relatório anual do IWCA Brasil, já estão formalizados seis sub-capítulos: Sul de Minas, Matas de Minas, Mantiqueira, Cerrado Mineiro, Chapada Diamantina, Norte Pioneiro do Paraná e o subcapítulo São Paulo está se organizando. “Eles são autônomos em suas estratégias de ações, suas lideranças e geral participam da Diretoria da IWCA Brasil, tendo assim uma consonância de atividades conjuntas”, descreve o relatório.
Entre essas bravas guerreiras, pode-se encontrar um perfil bem variado. Produtoras de agricultura familiar, torrefadoras, baristas e mulheres das áreas de pesquisa, da UFV e da UFLA. “Temos mulheres de várias faixas etárias e de todos os estados produtores. E isto é muito rico, pois a troca de exeriências e de vivências é muito grande”, explica Brígida.
Como homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, nós do Grão Gourmet gostaríamos de parabenizar as mulheres do café. Nós apoiamos a causa e esperamos em breve ter seus cafés em nosso portfólio.

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