Por Janice Kiss

As consequências do El Niño, fenômeno climático marcado por extremos – potencializa as chuvas no Sul e a seca no Nordeste – nos cafezais do país só vão poder ser averiguadas com mais precisão no início do ano.

A ponderação é feita por José Braz Matiello, pesquisador da Fundação Procafé, que comenta que as lavouras do Centro-Sul do país não foram tão castigadas pela chuva. “Choveu o suficiente para colaborar com a florada e sem trazer o risco do aparecimento de doenças”, explica.

Menos sacas capixabas
No entanto, o mesmo não aconteceu com as lavouras de conilon (robusta) no Espírito Santo, que não foram poupadas da seca que afetou a região. Conforme o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a colheita desse grão está estimada em 11,19 milhões de sacas (60 quilos), 14,2% inferior em relação a anterior (2014/15).

Em compensação, o café arábica sofreu uma redução menor (1,7%) e a colheita desse grão está prevista em 32 milhões de toneladas. A safra 2105/16 (conilon e arábica) foi estimada em 43,24 milhões de sacas (5,3% menor que a passada) pela Conab.

ElNino

Nem todos tiveram a mesma “sorte”
O trigo, o arroz e o feijão não tiveram a mesma “sorte” que o café.  O El Niño foi mais cruel com essas lavouras em 2015. A perda no trigo foi de 22% (a colheita estimada é de 5,7 milhões de toneladas), a safra nacional de arroz deve ser inferior a 11 milhões de toneladas (o consumo, por sua vez, deve ultrapassar 12 milhões) e o potencial de produção de feijão pode estar comprometido entre 10% e 15%.  Mas o impacto sobre essa leguminosa tem chances de ser revertido já que o Brasil tem três safras por ano.

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